O mercado de carros clássicos segue movimentando cifras milionárias mundo afora, e a Monterey Car Week de 2026 confirmou essa força ao inserir dois novos nomes entre os dez veículos mais caros já vendidos em leilão. A Ferrari Luce, primeiro modelo 100% elétrico da marca italiana, e o raríssimo Shelby Cobra Daytona Coupe garantiram posições de destaque em uma lista historicamente dominada por protótipos de competição, vencedores de Le Mans e máquinas que passaram pelas mãos de pilotos legendários da Fórmula 1.
A hegemonia da Ferrari no ranking é evidente, mas não exclusiva. Entre os exemplares que mais chamam atenção está o 335 S de 1957, peça fundamental na conquista do Campeonato Mundial de Construtores daquele ano e que ainda terminou em segundo lugar na última edição da Mille Miglia disputada pela equipe. O carro foi pilotado por nomes como Peter Collins, Wolfgang von Trips e Luigi Musso, em uma das temporadas mais vitoriosas da história da Scuderia - episódios que, décadas depois, ainda geram fascínio entre colecionadores e entusiastas que acompanham esse universo com o mesmo entusiasmo de quem aposta em um giro de spin and win cassino à espera de um resultado extraordinário.
Os Ferrari 250 que marcaram época
O Ferrari 250 LM ocupa lugar especial na história esportiva da marca: é o único Ferrari de uma equipe privada a vencer as 24 Horas de Le Mans e o único a disputar seis provas de 24 horas durante a gestão de Enzo Ferrari. O exemplar preserva a carroceria original da Scaglietti, o motor V12 de 3.0 litros e o câmbio de fábrica, características que justificaram sua venda por US$ 36,345 milhões.
Já o 250 GTO, para muitos o Ferrari mais icônico já produzido, teve apenas 36 unidades fabricadas - todas sobreviventes até hoje. Um exemplar vendido em 2014, que pertenceu por 49 anos ao colecionador Fabrizio Violati e chegou a competir nas pistas, estabeleceu na época o recorde mundial para um automóvel vendido em leilão. Outro 250 GTO, único a deixar a fábrica na cor Bianco, aparece em posição ainda mais alta na lista, valorizado tanto pela raridade quanto pela passagem intacta pelas competições dos anos 1960.
Ferrari Luce e Shelby Cobra chegam ao top 10
A grande novidade entre os italianos é a Luce. A primeira unidade de produção do modelo elétrico foi arrematada por US$ 40 milhões no Monterey Auction 2026, conduzido pela RM Sotheby's na Califórnia. Identificado como "Chassis 0", o carro recebeu configuração exclusiva do programa Ferrari Tailor Made, com pintura Madreperla Semi-Gloss e interior em couro metálico Le Mans Perla. Todo o valor será destinado a iniciativas educacionais da Ferrari Foundation, e o veículo ainda passará por Maranello antes de ser entregue ao comprador, previsto para o primeiro trimestre de 2027.
O Shelby Cobra Daytona Coupe, criado por Carroll Shelby para enfrentar os Ferrari 250 GTO nas pistas, também entrou na lista após ser vendido por US$ 42,905 milhões, na quinta posição. Apenas seis unidades desse modelo foram construídas, o que reforça sua raridade entre os carros de competição americanos daquela geração.
Mercedes-Benz mantém o topo absoluto
Mesmo com o domínio numérico da Ferrari, a liderança segue com a Mercedes-Benz. O W 196 R Stromlinienwagen, pilotado por Juan Manuel Fangio e Stirling Moss, ocupa a vice-liderança entre apenas quatro exemplares com configuração Streamline já construídos. No topo absoluto está o 300 SLR "Uhlenhaut Coupé", vendido em 2022 por US$ 142 milhões - quase US$ 94 milhões acima do recorde anterior. Um dos dois únicos protótipos feitos para a Carrera Panamericana de 1955, o carro teve o valor da venda destinado ao Fundo Mercedes-Benz, programa de bolsas para jovens ligados a projetos de sustentabilidade.